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Adaptações das plantas ao ambiente dunar

“Sal”? Não, obrigado!
O spray salino pode danificar os tecidos das plantas e provocar a sua morte. A principal resposta a esta agressão é o desenvolvimento de suculência em certas partes da planta que sofrem um engrossamento de modo a permitir um maior armazenamento de água para satisfação das necessidades metabólicas e manter a turgescência dos tecidos. Outras respostas para evitar a acumulação de sais é a formação de cutículas grossas, o desenvolvimento de pubescência e a orientação da folha. O spray salino juntamente com esporádicas inundações por água do mar podem também contribuir para um incremento da concentração de sais no solo arenoso, que apenas tenderá a diminuir pela ação das águas das chuvas. Face às elevadas concentrações salinas no solo arenoso as plantas desenvolveram adaptações que incluem o desenvolvimento de resistência face ao sal; a estimulação do crescimento a baixas concentrações de sal; o desenvolvimento de estruturas no tecido externo que permitem excretar o sal; a suculência e adaptações osmóticas.
A barrilheira (Salsola kali) e a eruca-marítima (Cakile marítima) são plantas halófitas que toleram grandes concentrações de sal. Possuem órgãos suculentos, o que lhes permite diluir os sais acumulados, e folhas de dimensões reduzidas e com forte cutícula, o que limita a exposição aos efeitos nocivos do spray salino (salsugem).

Como não ser soterrado?
O enterramento das plantas devido à areia transportada pelo vento é uma das maiores restrições para a implementação e desenvolvimento da flora dunar. A resposta mais comum das plantas que vivem em sistemas dunares ativos é a estimulação positiva do crescimento com o enterramento. Ou seja, apresentar um crescimento mais rápido do que a taxa de enterramento.
O feno-das-areias (Elymus farctus) possuiu um sistema de rizomas entrecruzados com crescimento vertical e horizontal que formam redes sob a areia contribuindo para a retenção das areias. Os rizomas verticais desenvolvem-se à medida que ocorre o soterramento promovendo uma maior facilidade de regeneração e crescimento.
Ficando com as raízes expostas, a planta pode morrer; daí que seja especialista em sobreviver em locais onde haja um fornecimento contínuo de areia.

Como não ser arrancado pelo vento?
O vento forte que se faz sentir nos sistemas dunares costeiros tem um efeito direto sobre as plantas, limitando o seu crescimento e gerando lesões, principalmente nos tecidos das partes aéreas, ou indireto, causando dessecação e abrasão.
A resistência ao efeito mecânico do vento pelas plantas é conseguido através de um porte baixo e rasteiro ou estruturas flexíveis.
Face à dessecação, adaptações anatómicas como a formação de cutículas grossas, de folhas mais duras e mais grossas (esclerofilia) e órgãos pubescentes (revestidos de pêlos finos e curtos) fazem parte da solução.
O estorno (Ammophila arenaria) possui grande capacidade de regeneração e crescimento.
Cresce em tufos densos, o que lhe permite resistir aos efeitos da força do vento pelo efeito do grupo e devido ao seus colmos flexíveis. As suas raízes muito profundas servem não só para captar água em profundidade como também para garantir alguma estabilidade.
A couve-marinha (Calystegia soldanella) possui uma forma prostada e a madorneira (Artemisia crithmifolia) uma forma de bola, que lhes permitem resistir à ação dos ventos fortes.
As gramíneas, como a vúlpia, possuem colmos que lhe dão uma grande resistencia à força do vento.

E como se portegem da forte insolação?
Os cordeiros-da-praia (Othanthus maritimus) apresentam um denso tomento branco, lanoso, sobre toda a sua superfície que protege a planta da forte insolação, mantendo simultaneamente uma fina camada de ar húmido em torno dos seus caules e folhas.

Como obter e conservar a água?
A elevada permeabilidade do solo arenoso, as baixas concentrações em matéria orgânica, as altas temperaturas e o vento tornam a disponibilidade de água um factor limitante para a vida dunar.
Face a este stress hídrico as plantas desenvolveram várias adaptações destacando- -se os ajustes osmóticos, as estruturas xeromórficas, incluindo suculência, enrolamento de folhas, pubescência, secreção de ceras, etc.
A morganheira-das-praias (Euphorbia paralias) possui uma cutícula grossa, que lhe permite reduzir a perda de água por transpiração e raízes profundas que lhe possibilitam captar água em profundidade. Além disso resolve o problema da falta de água aumentando a tensão osmótica interna através da produção de substâncias responsáveis pelo aspecto leitoso da sua seiva.
O cardo-marítimo (Eryngium maritimum) apresenta folhas largas e finas revestidas por uma camada cerosa que as impermeabiliza e lhes dá um aspecto brilhante e uma textura coriácea.
O feno-das-areias (Elymus farctus) e o estorno (Ammophila arenaria) possuem folhas lineares, lisas e brilhantes na face superior e enrugadas como um fole na face inferior; a superfície brilhante está impermeabilizada por uma película cerosa que reflete a luz solar excessiva e isola as células foliares da ação direta da salsugem enquanto que a face inferior, enrugada, cria um ambiente abrigado e húmido onde as trocas gasosas se dão, minimizando as perdas de água.

O aumento da superfície devido ao enrugamento da face interior de muitas folhas permite compensar a não
funcionalidade da sua face superior, devido à existencia de antíbula impermiável.

Como encontrar o escasso alimento?
A água do mar contém a maior partes dos elementos necessários ao crescimento das plantas, excepto azoto, fósforo e potássio. Alguma matéria orgânica que chega à praia através das marés também pode constituir uma fonte importante de nutrientes. Apesar deste fluxo de alimento, os nutrientes são distribuídos de forma heterogénea e facilmente se tornam inacessíveis às plantas devido à natureza porosa do solo arenoso.
O desenvolvimento de estruturas laterais para localizar e interceptar nutrientes, a retranslocação destes desde partes senescentes a zonas de crescimento, as associações micorrízicas para obtenção de fósforo e com bactérias para a fixação de azoto são algumas das estratégias utilizadas face à escassez de nutrientes.
O polígono-da-praia (Polygonum maritimum) é uma espécie nitrófila, que se desenvolve em locais onde se verifica acumulação de detritos orgânicos, como nos galgamentos marinhos, zonas ricas em compostos azotados.
Plantas parasitas, como a erva-toira-das-areias (Orobanche arenaria), resolvem o problema da escassez de nutrientes do solo recorrendo à produção de plantas arbustivas que parasitam.

Como lidar com os temporais?
As plantas dos sistemas dunares estão sujeitas à ação mecânica do mar e da areia. Os temporais de inverno trazem consigo um desgaste das zonas mais perto da linha de água que podem provocar a eliminação da vegetação e a exposição das suas raízes.
Nessas zonas mais expostas, as espécies apresentam mecanismos de recolonização das zonas destruídas, estratégias essas características de plantas pioneiras. A produção de sementes em elevado número ou com capacidades de flutuar garante a sua dispersão através do vento e da água, respectivamente. As plantas com um ciclo de vida anual, morrem com o final do período de crescimento ativo, sobrevivendo ao inverno sob a forma de sementes.
O lírio-das-areias (Pancratium maritimum) tem raízes em forma de bolbos grandes e carnudos que para além de funcionarem como reservatório de água e nutrientes, dispersam facilmente flutuando na água do mar, para outras zonas da costa. As suas sementes muito leves também facilitam a dispersão pelo vento.

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Cortiça

O sobreiro (Quercus suber) foi nstituído como árvore nacional a 22 de Dezembro de 2011 (Resolução da Assembleia da República nº 15/2012).

 

Quercus suber

– http://www.flora-on.pt/#/1querus+suber

http://www.spbotanica.pt/pmes/pmes25.html